segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ouro Preto

Sábado
Depois da noite intensa de ontem custou a levantar de manhã mas a vontade de conhecer Ouro Preto superou tudo. Esta pequena cidade, de ruas ingremes e muito inclinadas é maravilhosa. A sua arquitectura tem muito de portuguesa. É uma mistura entre o barroco português e o mineiro, conhecido aqui como barroco brasileiro. Há alguns séculos atrás descobriram-se umas rochas estranhas nesta região. Depois de serem estudadas chegou-se à conclusão que eram ouro preto cobertas de óxido de ferro. O Brasil ainda era nosso e claro que os portugueses correram para lá em busca de riqueza. Quando o minério começou a escassear, os portugueses aplicaram taxas muito altas de modo a continuarem a ter riqueza. Foi aí que o conhecido tiradentes iniciou uma revolta contra os colonistas. Tudo aconteceu nesta cidade... É muito agradável passear naquelas ruas. Há sempre samba a sair de uma janela, as casas coloridas, os meninos de rua, os vendedores ambulantes... Há qualquer coisa no ar...
A destacar estão as obras de António Francisco Lisboa, mais conhecido como "aleijadinho", cuja genialidade veio de cima quando perdeu as duas mãos e para não parar o seu trabalho atava objectos ao corpo. Fez grandes esculturas, com grandes pormenores e muitos detalhes, que ainda impressionam mais se imaginarmos a condição dele. A igreja São Francisco de Assis foi projectada por ele, mas o melhor deste edificio é a magnifica pintura no tecto, por Manuel da Costa Athaíde, que deve ser observada exactamente por baixo, pois quando observada de angulos diferentes adquire também formas diferentes e "tortas".
Foi um dia muito bem passado e que sem dúvida valeu a pena! Se puderem não percam esta cidade!

Cerveja a dados

Gosto deste departamento... eles fazem festas quando se lembram e só porque sim! Mas a verdade é que é assim que se conhecem bem as pessoas e é assim que os grupos ficam mais unidos.
Na passada sexta feira houve festa aqui no departamento. Duas arcas cheias de cerveja, um fogão de campismo para fazer cachorros quentes, um radio e umas colunas e foi ali mesmo na "pracinha", junção dos corredores que a animação decorreu. O jogo da cerveja a dados é muito facil. No bar, a pessoa e o barman lançam um dado. Se tirarmos maior não pagamos a cerveja, se tirarmos menor ou igual pagamos. No final de tudo o que interessa é o convívio. Só com 10 reais no bolso e o resto incluindo as chaves dentro do laboratório trancado e sem ninguém que me abrisse a porta, pensei para mim mesma "é melhor começares a ganhar, senão morres à sede". Ganho a primeira e perco as 2 seguintes. "Tenho que mudar de estratégia. Pensa Sara, pensa. O que é que vais fazer". Ora, tendo em conta que de 5 pessoas 4 acham imensa graça ao meu sotaque o melhor é ir fazer amizades com os gajos que organizaram festa. Meia hora depois já era eu que estava do lado de lá do balcão a lançar os dados contra o pessoal e em cada 2 que eles tinham que pagar uma era para mim! Claro que nem precisei tantas mas já tinha as minhas garantias. Quando apareceu alguém com chave acabei por ir buscar a garrafa de vodka que tinha levado e distribuí pelo pessoal bem como um dos chocolates. Todos gostaram claro! Em compensação tive que beber cachaça caseira pura (?!). Não era má, mas sem a doçura da caipirinha até ardi! O resto da noite foi o habitual. Muito samba, muitas histórias, muitas piadas de português e muitas gargalhadas!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

New Wave / Malhação

Cada vez que chego de manha à universidade e que vou percorrendo os vários andares do edificio do departamento de Física, me vou sentindo mais numa novela brasileira. Quem nunca assistiu à New Wave ou até à mais velhinha Malhação? Onde as guerras amorosas se instalavam, os ciumes vinham ao de cima e caras bonitas inundavam o ecran. Não é novela! Tudo aquilo é vida real. Todos os factos acontecem assim por aqui, é um retrato muito fiel da realidade. Claro que nem todos os casais têm uma bruxa a tentar destruir tudo, mas ha muita coisa coincidente. As salas de aula repletas de alunos que esperam o professor. A camaradagem do professor que trata os alunos por tu e ensina sempre bem disposto. A linguagem usada. Os corredores. É muito semelhante. Adoro o espirito deles. Ouvem-se gargalhadas em todos os cantos, ouve-se gente a cantar em todo o lado e mesmo gente a estudar! Acho que assim dá gosto andar na escola. Claro que as temperaturas amenas e o sol ajudam em muito. Os corredores não têm janelas, são abertos e os gabinetes as janelas que têm estão sempre abertas. Parece que o mundo individual de cada um é mais receptivo. Passa-se pela porta e diz-se bom dia, olá, faz-se uma piada.
Deve ser por isso que a tentativa de imitação dos morangos com açucar às novelas brasileiras não correu tão bem! É que também os morangos se baseiam no dia a dia das escolas portuguesas... que não são tão animadas como aqui! É uma pena! Mas algumas estão lá perto, o que significa que nem só o espaço faz um bom ambiente... as pessoas também são muito importantes!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Bacalhau à la Sara

Ou por outras palavras bacalhau com natas feito pela Sara. Ja fiz esta receita para um cento de pessoas e toda a gente gosta tanto que decidi sugerir aqui ao pessoal fazer uma jantarada. Como sempre só precisava de uma casa e uma cozinha. Como aqui festa é o que se quer montou-se logo o esquema todo. Dois dias antes compro o bacalhau (a um preço absurdo) e deixo de molho... Pois, tendo em conta que vivo numa pousada a solução mais facil que encontrei foi deixa-lo na casa de banho, dentro do unico recipiente que tinha lá no quarto... a gaveta do frigobar! Uma solução bem portuguesa! Tive sorte de calhar num dia em que não havia limpeza de quarto, senão posso imaginar a cara das empregadas da limpeza. Tiravam logo uma foto e punham logo no "nós por cá" brasileiro.
Nesta tarde fomos presenteados com a presença de um grande nome na área da tecnologia (já o conhecia mas a minha opinião pessoal vou guarda-la para mim, não vá mais tarde tramar-me a vida), Andrea Ferrari, que deu na universidade um pequena conferência. Sim, parece que o senhor é mesmo familiar do dono da ferrari. O que eu não sabia e fiquei a saber era que também ele iria estar no jantar. Boa! Eu só queria que saisse tudo bem. Demorou imenso tempo a fazer pois eramos 15 mas com uma maozinha, umas copadas de tequilla e umas latas de cerveja lá saiu. O pessoal tinha tanta fome que devoraram a primeira travessa num piscar de olhos (nem para mim houve). Fizeram muitos elogios e todas as pessoas que afirmavam não gostar de bacalhau passaram a adorar. Penso que os elogios foram sinceros, apesar de talvez um pouco influenciados pela fome negra que já deviam ter! Também me ensinaram a fazer brigadeiros. Por isso ja sabem, na proxima jantarada há sobremesa e tudo!
Todos me deram um conselho importante... se eu não vingar como nanotubista posso sempre abrir um restaurante!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Tangará weekend

Tangará

Tangará é um condominio fechado a cerca de 1h da cidade de Belo Horizonte. Casas escondidas no meio do mato e floresta interrompidas por cachoeiras lindas, cujo acesso se faz por trilhos e pedras íngrimes. Partimos sabado de manhã e aí vai a malta toda. Bagagem cheia de cobertores, cerveja e carne e começava assim o fim de semana. A primeira vez que desci os trilhos e vi as cachoeiras fiquei deslumbrada... é um sitio lindo. Pulamos todos para a água e fomo-nos pôr debaixo do jacto de água. Corremos umas duas ou três. O resto do dia foi passado a comer churrasco que assava lentamente e a beber cerveja... O por do sol foi visto do cimo do telhado onde existe um terraço (ainda estou para saber como é que ninguém caiu daquela escada de incendios abaixo) e à noite houve cantorias e mais picanha na chapa e arroz com feijão. Consta-se que a ultima lembrança totalmente desfocada ocorreu por volta do almoço, pois o resto são memorias intermitentes se é que me faço entender. Mas como eramos 10, dá para reconstituir os factos, como duas moças à estalada, mas a brincar, a afirmação do tocador de viola "agora é que vai sair uma musica portuguesa" tocando de seguida mamonas assassinas ou mesmo eu em cima da sanita a tentar mudar a lampada fundida da casa de banho. Temos muitas histórias engraçadas e muitas piadas sobre português para contar.
Foi bom acordar de manhã com os passaros a cantar, sair à rua e estender-me numa rede lá fora. Estas coisas assim sabem a Brasil!!!! Mal juntamos 4 pessoas fomos dar um mergulho e a ressaca passou de imediato mal aqueles jactos potentes bateram em nós. Acho que chega a ser terapeutico. Café da manhã tomado e pimba... a cerveja é para se acabar. Uns voltam mais cedo outros vêm e o resto do dia é mais do mesmo. Cerveja, picanha, maminha e muitas risadas. Um fim de semana muito muito bem passado.
Para uma ideia melhor do que é a beleza do Tangará, as fotos ficam a seguir.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

15 Novembro

Só para dizer que há um ano que sou licenciada!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Vai um choppinho?

Terça feira estava eu no auge das minhas medidas aqui no super aparelho quando a luz vai abaixo. Eh pá que cena, logo hoje que eu comecei. O pessoal juntou-se todo no corredor, incluindo o de outros laboratórios e começou a correr o rumor que iamos beber cerveja. Mas eram 3h da tarde e as vozes responsáveis disseram que a luz ia voltar. Pois... 1h depois a luz volta e foi uma trabalheira para deixar a máquina a funcionar outra vez. Depois de muitas gotas de suor (coisa impossivel numa sala que esta sempre abaixo dos 20ºC), estava quase quase tudo pronto quando... a luz vai outra vez em baixo. E a mesma voz responsável, que é o rapaz que dá assistencia, diz "ah azar, vamos mas é beber cerveja". E pimba, junta-se a galera toda em menos de um piscar de olhos, que para estas coisas já ninguém se atrasa e vai tudo para o boteco (tasca/restaurante se bem que boteco é atribuido a bar). O esquema é diferente do português. Na mesa são postas garrafas de 600ml e é dado um copo para cada um. Não cheguei a ver o fundo ao copo, pois há sempre alguém que vai reforçando a dose. Comemos pasteis, mandioca assada com linguiça e muito muito choppinho. Anoiteceu e o pessoal sempre na conversa. Chegamos 5 e no final eramos 20, mesmo com entradas e saídas de outros. Era o departamento de física em peso. Chegou a hora de fechar o restaurante e tivemos que sair. Hora de pagar... 10 reais! O quê? Bebo cerveja a tarde inteira, como e pago 10 reais? Tipo 3 euros? Muito bem, amanha á mesma hora? A propósito de horas... que horas são? Devem ser aí umas 10h da noite não? Não... era 1h da manha!!!! Os resistentes, eu e mais 3, tentamos encontrar um barzinho aberto para continuar a noite, acabamos a jogar snooker. Fomos ainda até ao mirante de mangabeiras e tenho pena de não ter levado câmara para tirar fotos. O cenário à noite ainda impressiona mais! Fantástico!!!!
Quando fui para casa o céu já estava a clarear e eram 6h! Às 8h estava a pé para tomar o pequeno almoço e ir trabalhar. Quando cheguei fiquei no corredor à espera que alguém me abrisse a porta. Todos os que passavam, professores ou doutorados me diziam bom dia! Alguns nem me lembrava deles. Já para não falar que agora conheço muito melhor o grupo com quem trabalho, que são todos uns porreiraços. Decididamente, estava a faltar uma noite de cerveja para começar a conhecer e a ser conhecida!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Lagoa de Pampulha

Domingo
Podem-me chamar de louca… eu sei que sou. Nunca tinha andado tanto na minha vida! Mas o que se passou nesta cabecinha? O mesmo de sempre… aquele pensamento “eu gosto de caminhar, eu consigo…”. Sim, decidi ir percorrer todo o calçadão em volta da lagoa de Pampulha. Um calçadão que tem apenas 18km!!! Eu pensei que caminhar em volta de uma lagoa é sempre agradável. O começo foi bem. Cheguei mesmo a tempo de ver começar a maratona pela diabetes (hoje era o dia mundial da Diabetes). Foi giro ver o pessoal a correr, havia música na rua, estava animado. Em redor da lagoa há vários pontos turísticos. Passei pelo clube de ténis mais famoso da cidade (também o mais caro, por sinal), pela igreja de São Francisco de Assis, conhecida pela sua arquitectura incomum e claro, pela beleza natural da própria lagoa. Tirei um monte de fotos. Ao km 10 (até parece uma noticia sobre ciclismo) os pés davam já sinais de cansaço mas estava a chegar ao parque natural da Pampulha, uma zona verde enorme, onde há locais bem definidos para jogar à bola, lançar papagaios, fazer piqueniques, trilhos para andar de bicicleta… lindo! E claro os animais, maioritariamente aves, mas também uns bichos castanhos tipo hipopótamos pequenos, que se chamam capivara. O máximo. O pior foi que pensei que no final do parque havia conecção para o calçadão da lagoa, mas não… ou seja, andei 1km lá dentro, e mais um para voltar ao calçadão. Desanimador. Com a ajuda de águas de coco e abacaxi (eles vendem na rua só o miolo bem fresco, imaginam como é para uma pessoa que adora essa fruta), lá fui andando e dando palavras de encorajamento a mim própria até porque voltar para trás era já a mesma distância. O calçadão tem zonas com mais pessoas e outras mais desertas. Aos domingos os brasileiros têm o hábito saudável de caminhar ou correr por ali ou outras zonas verdes. No entanto nas zonas com menos habitações vêm-se poucas pessoas o que torna o percurso mais duro. Num bom pedaço do trajecto a lagoa deixa de se ver e parece que caminhamos para a cidade mais próxima. Foi nessa parte que pensei chamar um táxi, apanhar um autocarro, mas que chegava de maluqueiras, pois o cansaço dos pés já tinha passado a dores. Não vi nem uma coisa nem outra, por isso fui andando. Parei um pedaço, mais uma água de coco, mais umas fotos e de volta ao caminho! O problema do percurso é que tem muitos braços compridos e estreitos. Vemos facilmente o outro lado mas para lá chegarmos é preciso fazer a volta toda lá ao fundo. Num desses braços, a lagoa é mais baixa e como esta região passou por um período de seca consegui atalhar 1km! Ufa! Mais umas paragens, novas coisas para ver, como o jardim zoológico (que não entrei), museu de artes, repuxo, mais um mirante e a casa do baile e pronto… percorri os km que me faltavam! Quando cheguei ao inicio da rua que sobe até ao mineirão nem acreditava… nem acreditava que tinha feito o perímetro todo… nem acreditava que ainda tinha que subir aquela avenida toda até chegar ao meu canto!!! Mas lá subi, havia jogo no mineirão, estava a festa instalada. Cheguei à pousada, comi qualquer coisa e fui-me esticar ao sol o resto do dia a ler!!! Há lá melhor vida que esta! Demorei 6h a fazer os 20km (sim 20, com o que andei no parque e até casa). Acho que também é bom conhecermos os nossos limites. Se algum dia precisar fugir para algum lado já sei do que sou capaz!