sábado, 8 de dezembro de 2007

Passagem por São Paulo

São Paulo... bem diferente de BH! Nesta cidade mora 2 vezes a população de Portugal... dá para imaginar? Predios altissimos, onde se vive engaiolado que nem piriquitos na loja, vivendas chiques em condominios fechados e favelas... muitas favelas! Os paulistas ricos têm horror a gente pobre e não... o que acontecia no sai de baixo não é ficção, é pura realidade! De resto o espirito brasileiro continua lá... muito samba, muito pagode, muita festa, muito transito, muita gente e mais perigo! Existem lugares verdes e lindos, que polvilham a cidade, existem inumeros locais de interesse impossiveis de conhecer em 5 dias!
Ainda assim, vi tudo o que pude e vivi tudo o que o tempo me permitiu. As imagens ficam para a posteridade!

São Paulo - A noite

Tendo eu primas e primos de todas as idades testei todos os tipos de noite possiveis em São Paulo! Quando digo tipos, significa de todas as idades, com todos os tipos de musica, diversos ambientes... bem... tudo mesmo!
A Primeira noite lá fui a um bar com pista, frequentado por pessoas mais velhas. Havia apenas um grupinho de 2 ou 3 rapazes que me pareceram mais ou menos da minha idade (feios que doi!!!!!!). Em Portugal quando se vêm quarentões e cinquentoes, têm todos ar de bancários ou homens de negócios, sim porque geralmente são homens, e são quase sempre vistos em bares de malta nova. Pois no Brasil o habito de sair não se perde com a idade, o que acho muito bem, e existem então locais mais frequentados por esta gente, onde a unica diferença é que as conversas sobre as aulas são trocadas pelas sobre o trabalho de cada um! O resto está tudo lá... senhoras muito bem arranjadas... senhoras pirosas... senhoras discretas... e homens, muitos homens à caça da sua presa, só para dançar ou algo mais, caso a vitima, não seja afinal uma vítima e o permita. Quando os slows ou o sambinha toca a senhoras ficam sentadas à espera do convite dos cavalheiros e só quando de vez em quando a musica mexida assalta a pista, estas vão dançar em grupos. E tal como nas nossas discotecas portuguesas dança-se muito, canta-se muito, beija-se muito, engata-se muito e é uma alegria. Entrando em pormenores da minha noite, o Corinthians, clube grande do Brasil estava a jogar e senão ganhasse ficava à beira da segunda divisão! Então era ver a pista inteira a dançar... virados para o ecran gigante onde passava o jogo. A noite teve diferentes momentos e de vez em quando entrava uma banda que tocava Samba, pagode ou forró e era ver o vocalista virar a cabeça para o ecran a cada 4 linhas da letra! Muito engraçado. O Corinthians acabou por perder (uma semana depois perderia também descendo mesmo à 2ªdivisão), o ambiente perdeu-se e fomos para casa cedo por falta de comparencia de gente gira! Ainda assim foi uma experiência engraçada.
A segunda noite fui raptada pelo meu primo, 3 meses mais velho que eu! Tinha-me dito que iamos sair com uns amigos dele para um clube conhecido da cidade, jockey club. Entusiasmei-me, claro! Gostei do local, que apesar de pequeno era muito giro. Nesse dia não havia DJ mas sim uma banda a tocar sambinhas e afins. Optimo, pensei! Musica de DJ tenho eu o ano todo na europa. Os amigos que ele me falou eram apenas 2, um deles chefe dele, e passaram os 3 a noite inteira a comentar toda a gaja que passava. Eu sorria... primeiro teve piada, mas ao fim de 10 minutos já estava enjoada! Um deles ainda meteu conversa comigo mas muito pouco e eu tornei-me quase transparente. A coisa piorou quando o chefe dele lhe propôs um desafio... beijas uma rapariga hoje e amanha não tens que ir trabalhar! Ora, nunca ninguém da minha familia recusaria um desafio destes e lá foi ele em busca de novas amigas. As primeiras duas falharam, mas à 3ª acertou pois ela estava ali sozinha e também estava a precisar companhia. 10 minutos depois de estarem à conversa o chefe foi informar a mocinha que havia ali um desafio no meio... ela não ficou minimamente importada, pendura-se ao pescoço do meu primo e desatam aos beijos!!! Muito bem priminho... já podemos ir? Nah... A seguir os outros dois cromos vão-se embora e como nenhum sabia onde eu morava, nem eu própria, lá fico eu em pé, no meio de um bar, à espera que o meu primo acabe de comer uma gaja! Claro que eu fui simpática e disse-lhe para estar à vontade... e ele esteve... Meia hora depois lá se lembrou de mim, apresentou-me a moça e saímos os 3! Lá fora ainda fiquei outra meia hora à espera que trocassem numeros e as ultimas gotas de saliva e depois fomos finalmente para casa! No dia a seguir disse-me bom dia todo envergonhado!!! Pois...
Noutra noite fui até ao Banespa, como já falei no post do meu aniversário. Essa sim valeu muito a pena. Aprendi a dançar, descobri que tenho samba no pé... e nas veias e conheci gente muito muito simpatica!
Da próxima estão prometidas saídas com os outros primos, nomeadamente com o da feijoada e pagode, o que promete... vamos lá ver quando!!!!!

Errata

Tosca! Tosca! Tosca! Tosca! Tosca! Tosca! Tosca! Tosca! Tosca!

Enganei-me no nome de um dos bichos que eu fotografei e pus no slide do post anterior. O bichinho não é um caitupira, mas sim um Capivara!!!! Vá-se la saber onde esta cabecinha vai buscar estes nomes!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Passagem por BH

Já falei muito da cidade de Belo Horizonte e penso que deu para entender que adorei a cidade. Espero agora com algumas imagens transmitir aquilo que foi a minha vida por lá... transmitir o ritmo da cidade, o ambiente, a paisagem... ainda que tenha a certeza que é impossivel passarem pela experiencia só com imagens, mas se mais pudesse fazer até o ar que la respirei vos passava!
Espero que gostem!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Dia de aniversário à Brasileira

Já escrevo da Polonia, mas estou a dever uns quantos posts sobre a minha estadia no Brasil. Posts esses que vão sair a conta gotas, pois para a semana há encontro na Alemanha e eu tenho muita coisa para organizar e fazer.O meu aniversário este ano teve 26h... ganhou ao do ano passado que só teve 25h. Por este andar daqui a uns tempos faço anos o ano inteiro! É que eram 10h da noite no Brasil quando chegou a primeira mensagem de parabéns... era meia noite em Portugal!
Nessa altura eu estava na festa mensal do Banespa, um clube desportivo que de vez em quando organiza umas festarolas. Aquilo foi uma animação e o local ideal para eu aprender a dançar samba e afins. É que um dos amigos da minha prima é professor de dança e aprendi imenso com ele. Descobri que o "samba no pé" eu já sabia fazer, o dançado a 2 é que nem tanto. Para além disso até houve coreografias pelo meio e tudo! Foi a loucura total. Á meia noite é costume chamarem todos os aniversariantes da época e o meu nome lá estava. Ouvi os parabéns em portugues do Brasil e havia bolo e tudo! A noite foi aproveitada até ao fim e dancei que me fartei. A minha prima disse que finalmente descobriu alguém na familia que gosta, porque do resto era unica!
No dia seguinte (ou seja, no mesmo dia mas de manha), fui até ao ponto mais alto de São Paulo, onde em dias claros se tem uma panoramica da cidade! Claro que com a sorte que tive estava nublado e só se viam as redondezas, mas ainda assim valeu a pena.
De seguida conheci o meu ultimo primo, o Alex. Um senhor com um cabedal de fazer inveja a qualquer segurança de discoteca. Ele levou-me ao chamado "feijoada com pagode". Ou seja, uma casa de samba, samba a sério daquele puro, de raiz, onde se pode almoçar uma optima feijoada tradicional brasileira. A parte engraçada foi quando ele saiu para ir à casa de banho e assim que desapareceu vem um negão, do meu tamanho meter conversa. Convidou-me para dançar, ao que eu recusei (não era suficientemente giro) argumentando que não sabia porque era portuguesa. Insistiu e perguntou "o grandão aí não se vai importar se eu falar contigo pois não?". Não consegui responder... ri ri ri até não poder mais. Entretanto o grandão chegou e o pequenote afastou-se logo. Ah pois não... olha a miufa! Contei-lhe e fartamo-nos de rir os dois. Sambei a tarde toda, sempre de copo cheio. Contas feitas tinhamos dado conta de 11 cervejas de 600ml. Nem me tinha apercebido! Só dei conta quando no carro me pareceu ver tudo nublado e meio ás voltas. Azar! O pior é que em casa estava a familia à minha espera! Lá fui eu para de baixo do chuveiro! A coisa até melhorou e o lanchinho lá em casa foi bom. Bolo de aniversário e parabens cantados. O Alex fartou-se de gozar comigo por causa do negão e toda a gente se riu com a historia. Já não saí, pois o cansaço era mais que muito.
Um aniversário bem melhor que o ano que passou, sem dúvida! Um aniversário cheio de alma brasileira!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Parabens à Xara

Parabens para mim... la la la la la la
Um aniversario diferente sem duvida... samba a serio como eu sempre quis e como ja nem sabia bem se existia... alma brasileira sem duvida!!!!!!
O que é que estou a fazer na polonia... não sei... o Brasil é o meu país!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Domingo de Feira

Domingo
Todos os domingos numa das avenidas principais de BH faz-se uma feira com tudo e mais alguma coisa (roupas, sapatos, bijuteria, móveis, decoração, tapetes, ...). Não poderia largar esta cidade sem passar por lá. Avisaram-me para ir de manhã, mas aqui os autocarros são o que são e acabei por chegar lá as 11h. Havia muita gente e mal se cabia, mas como eu ia cheia de paciencia até gostei do ambiente. Os preços são bartos sim, mas nada assim ao preço da chuva. Como em todas as feiras, há barato mas de qualidade bastante inferior. Ainda assim fartei-me de comprar coisas e coisinhas... A feira é enorme e tem um sem fim de barraquinhas. Os preços descem sempre desde que se saiba falar com os vendedores e sobretudo se se levar mais que um artigo. no final há umas barraquinhas com comes e bebes bem tradicionais. Comi o famoso feijão tropeiro (feijão cozido com farinha, carnes gordas, torresmos e cebolinho) e uma espetada crocante, que era carne de porco envolta em bacon grelhada na altura com uns molhos estranhos que não percebi o que eram! De comer e chorar por mais. Só foi pena não ter companhia! Dei mais umas voltas e acabei por decidir ir até ao maior shopping da cidade, pois ainda não conhecia. Apanhei o autocarro, mas deixei passar a paragem! Disseram-me para descer logo na próxima e apanhar o proximo do outro lado da estrada. Quando dei por mim estava no meio do nada. Só tinha uma estrada muito movimentada. Esperei mais de uma hora na beira da estrada e quando apanhei o autocarro de volta reparei que era o mesmo motorista! Mais valia ter ido até ao fim da linha e voltado com ele! Enfim...
Já andei por muitas cidades e nunca me perdi tanto como nesta, onde afinal até falo a mesma lingua! É este o encanto do Brasil. Encanto agora, porque naquela altura não teve muita graça...

Ouro Preto

Sábado
Depois da noite intensa de ontem custou a levantar de manhã mas a vontade de conhecer Ouro Preto superou tudo. Esta pequena cidade, de ruas ingremes e muito inclinadas é maravilhosa. A sua arquitectura tem muito de portuguesa. É uma mistura entre o barroco português e o mineiro, conhecido aqui como barroco brasileiro. Há alguns séculos atrás descobriram-se umas rochas estranhas nesta região. Depois de serem estudadas chegou-se à conclusão que eram ouro preto cobertas de óxido de ferro. O Brasil ainda era nosso e claro que os portugueses correram para lá em busca de riqueza. Quando o minério começou a escassear, os portugueses aplicaram taxas muito altas de modo a continuarem a ter riqueza. Foi aí que o conhecido tiradentes iniciou uma revolta contra os colonistas. Tudo aconteceu nesta cidade... É muito agradável passear naquelas ruas. Há sempre samba a sair de uma janela, as casas coloridas, os meninos de rua, os vendedores ambulantes... Há qualquer coisa no ar...
A destacar estão as obras de António Francisco Lisboa, mais conhecido como "aleijadinho", cuja genialidade veio de cima quando perdeu as duas mãos e para não parar o seu trabalho atava objectos ao corpo. Fez grandes esculturas, com grandes pormenores e muitos detalhes, que ainda impressionam mais se imaginarmos a condição dele. A igreja São Francisco de Assis foi projectada por ele, mas o melhor deste edificio é a magnifica pintura no tecto, por Manuel da Costa Athaíde, que deve ser observada exactamente por baixo, pois quando observada de angulos diferentes adquire também formas diferentes e "tortas".
Foi um dia muito bem passado e que sem dúvida valeu a pena! Se puderem não percam esta cidade!

Cerveja a dados

Gosto deste departamento... eles fazem festas quando se lembram e só porque sim! Mas a verdade é que é assim que se conhecem bem as pessoas e é assim que os grupos ficam mais unidos.
Na passada sexta feira houve festa aqui no departamento. Duas arcas cheias de cerveja, um fogão de campismo para fazer cachorros quentes, um radio e umas colunas e foi ali mesmo na "pracinha", junção dos corredores que a animação decorreu. O jogo da cerveja a dados é muito facil. No bar, a pessoa e o barman lançam um dado. Se tirarmos maior não pagamos a cerveja, se tirarmos menor ou igual pagamos. No final de tudo o que interessa é o convívio. Só com 10 reais no bolso e o resto incluindo as chaves dentro do laboratório trancado e sem ninguém que me abrisse a porta, pensei para mim mesma "é melhor começares a ganhar, senão morres à sede". Ganho a primeira e perco as 2 seguintes. "Tenho que mudar de estratégia. Pensa Sara, pensa. O que é que vais fazer". Ora, tendo em conta que de 5 pessoas 4 acham imensa graça ao meu sotaque o melhor é ir fazer amizades com os gajos que organizaram festa. Meia hora depois já era eu que estava do lado de lá do balcão a lançar os dados contra o pessoal e em cada 2 que eles tinham que pagar uma era para mim! Claro que nem precisei tantas mas já tinha as minhas garantias. Quando apareceu alguém com chave acabei por ir buscar a garrafa de vodka que tinha levado e distribuí pelo pessoal bem como um dos chocolates. Todos gostaram claro! Em compensação tive que beber cachaça caseira pura (?!). Não era má, mas sem a doçura da caipirinha até ardi! O resto da noite foi o habitual. Muito samba, muitas histórias, muitas piadas de português e muitas gargalhadas!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

New Wave / Malhação

Cada vez que chego de manha à universidade e que vou percorrendo os vários andares do edificio do departamento de Física, me vou sentindo mais numa novela brasileira. Quem nunca assistiu à New Wave ou até à mais velhinha Malhação? Onde as guerras amorosas se instalavam, os ciumes vinham ao de cima e caras bonitas inundavam o ecran. Não é novela! Tudo aquilo é vida real. Todos os factos acontecem assim por aqui, é um retrato muito fiel da realidade. Claro que nem todos os casais têm uma bruxa a tentar destruir tudo, mas ha muita coisa coincidente. As salas de aula repletas de alunos que esperam o professor. A camaradagem do professor que trata os alunos por tu e ensina sempre bem disposto. A linguagem usada. Os corredores. É muito semelhante. Adoro o espirito deles. Ouvem-se gargalhadas em todos os cantos, ouve-se gente a cantar em todo o lado e mesmo gente a estudar! Acho que assim dá gosto andar na escola. Claro que as temperaturas amenas e o sol ajudam em muito. Os corredores não têm janelas, são abertos e os gabinetes as janelas que têm estão sempre abertas. Parece que o mundo individual de cada um é mais receptivo. Passa-se pela porta e diz-se bom dia, olá, faz-se uma piada.
Deve ser por isso que a tentativa de imitação dos morangos com açucar às novelas brasileiras não correu tão bem! É que também os morangos se baseiam no dia a dia das escolas portuguesas... que não são tão animadas como aqui! É uma pena! Mas algumas estão lá perto, o que significa que nem só o espaço faz um bom ambiente... as pessoas também são muito importantes!