Eu sei, acabei por me entusiasmar e escrever posts demais e demasiado longos! Só lê quem quer, mas quem tiver paciencia vai ver como não poderia ter deixado nada disto de fora... É que este blog não é só para vos dar a conhecer de onde passo o meu tempo, mas também vai servir para um dia eu voltar, e ler, e reler tudo, para recordar os meus tempos neste país...
domingo, 11 de outubro de 2009
Ainda o casamento - Factos rápidos
Havia fotografo mas sem mariquices. Não houve fotos na igreja. Os noivos não fugiram para ir tirar fotos ao jardim. Os convidados não têm fotos com os noivos daquelas de pose, onde depois de 20 os noivos começam a ficar com um sorriso amarelo e com as bochechas cansadas. Tiramos fotos com eles, claro que sim. Mas enquanto se dançavam, ou na mesa onde eles andaram de lugar em lugar. Tudo simples e natural. Ah, e o fotografo também não leva para lá as fotos naquela tentativa desesperada de as vender a um balurdio por foto. Os convidados iam todos elegantíssimos. Havia daquelas polacas giras que se fartam, elegantíssimas e que nos fazem sentir uns patinhos feios. no autocarro apresentaram-me a duas primas mais ou menos da minha idade. As miudas eram estranhas. Falavam num polaco que eu não entendia uma palavra e comportavam-se de maneira estranha (leia-se infantil). Cochicharam o tempo todo, enquanto apontavam para diferentes pessoas. Durante a festa, dançavam à maluca e abanavam os vestidos levantando-os mostrando os presuntos de 5 em 5 minutos. Não foi bonito de se ver. Mas sejamos realistas. Com concorrentes polacas e lindas, as primas gordas tinham que dar nas vistas de algum modo... (eu sei, às vezes sou ruim como as cobras. Mas não gostei quando elas cochicharam a olhar para mim à descarada e a fazer sorrisinhos falsos). Um homem com ar de camionista (a barriga gigante já a tinha) perseguiu-me. Eu andava a dançar descalça e ele tentou encontrar os meus sapatos para mos vir calçar, porque queria casar comigo (palavras dele?!). Obvio que estava bêbedo, mas perante o ar sério dele não me contive e desatei a rir!Depois de ter pegado no bebe dos noivos (cá não é estranho eles terem filhos primeiro) e ter andado a dançar com ele, a avó veio ter comigo a dizer que eu tenho muito jeito para bebés (?!) e que ela tinha um primo, que era muito bom rapaz (e apontou para ele) e que também andava à procura de alguém. Ri-me e pensei... bebés só altos, giros e com mais de 25 anos por favor!De cada vez que referia que daqui a 2 meses serei doutorada todos pasmavam e me diziam que não era possivel. Primeiro achei que fosse por parecer mais nova (querias...), mas a verdade é que me apercebi que era mais pela minha atitude. Sou quase doutora e misturo-me com o povo (ai c'horror!), não tenho o nariz empinado, não tenho um pau de vassoura espetado no r*** e não faço as pessoas fazerem-me vénias quando me cumprimento. Além disso, como é possivel, que dance descalça, fale que nem uma gralha, e que saiba tirar cerveja (fui elegida a pessoa que melhor sabia tirar cerveja... também com aquela fraca concorrência, que eles não percebiam nada daquilo!), e pior... que beba cerveja!!!
Casamento à polaco - O segundo dia
Depois de um belo passeio, desta vez sozinha, pela cidade de Nowogard (onde foi o casório), lá voltamos ao local da festa. Primeiro almoçou-se e a seguir dançou-se a tarde toda. Já sem banda, mas com umas colunas gigantes e milhentos cd's a festa continuou.
Bebeu-se menos vodka e loucura... havia cerveja e até se abriu uma garrafa de vinho! Como já todos tinham mais confiança comigo, acabei por me divertir ainda mais neste dia. Já todos mais descontraidos mas igualmente animados, não me deixaram estar sentada mais de 10 minutos. Lá perceberam que a portuga até dança e acabei por ser quase tão requisitada como a noiva. Passei pelos braços de tudo quando era rapaz ou senhor. Aliás, constou-me que determinada senhora fez uma cena de ciumes ao marido por andar a dançar comigo. Vim a saber mais tarde que foi a senhora mulher daquele que apalpou 3 no autocarro! Ficamos todos amigos e no final já nem me apetecia vir embora. Lá voltamos todos no autocarro, mas desta vez já sem vodka e com metade deles a dormir. Fui a primeira a descer, desta vez na minha rua, e de novo quase em coro ouvi "Sara, we love you!".E foi assim... tipo um pequeno big brother... pessoas que não conhecia, mas que foram "forçadas" a conviver comigo, acabaram por se tornar amigas. Pessoas que não teria conhecido não fossem as circunstâncias e de quem certo modo até sinto saudades. Aquela coisa tão portuguesa...
Os que me conhecem não vão estranhar quando eu disser que fiquei mais amiga dos amigos da noivo, que das amigas da noiva. Coisa estranha por estes lados, já que sou mulher, mas que desta vez até correu bem.

Os que me conhecem não vão estranhar quando eu disser que fiquei mais amiga dos amigos da noivo, que das amigas da noiva. Coisa estranha por estes lados, já que sou mulher, mas que desta vez até correu bem.
Casamento à polaco - Os jogos
Á meia noite em ponto os convidados reunem-se em volta dos noivos, que se sentam em duas cadeiras no meio da pista. Primeiro as raparigas e depois os rapazes, solteiros, dançam em volta deles. Quando a musica pára a noiva atira o ramo, e mais tarde o noivo a gravata. Quem apanha casará a seguir e tem direito à sua dança (o rapaz e a rapariga que apanharam as coisas).Poderia ficar por aí... mas não! Os polacos são divertidíssimos e fazem jogos para entreter o pessoal. Primeiro sentaram os noivos de costas um para o outro, cada um com um cartão vermelho e azul na mão. Ás perguntas que lhe faziam do tipo "quem é o preguiçoso lá em casa" e "quem é que tem sempre dores de cabeça", os noivos tinham que responder se era ela (cartão vermelho) ou ele (azul). Se ambos mostrassem o mesmo cartão, seguiam para a pergunta seguinte, se falhassem, as testemunhas bebiam um shot de vodka. Obvio é que as perguntas foram feitas para serem falhadas e o casal de testemunhas ficou a ver o mundo às voltas depois deste jogo. A seguir houve o vestir das cuecas da avó, onde o casal mais lento era excluido até se acharem os vencedores e o jogo da familia (ver videos). Neste ultimo cada par tinha um papel (pai, mãe, filho, filhas, sobrinho, pato, elefante), e o locutor lia um texto. Cada vez que se referia a alguma das personagens elas tinham que se levantar, correr em volta dos outros e voltar a sentar-se. Parece simples, mas é de morrer a rir. Principalmente quando eram lidas palavras como todos, pessoas, crianças, animais, onde se levantavam mais que um casal.Esta parte foi sem dúvida bem melhor que em Portugal, onde nos limitamos a dançar, e a morrer de cansaço (precisamente por não haver pausas), e a ver a pista com meia duzia de gatos pingados. A energia deste povo também foi contagiante e só mesmo o baixo nivel de sangue no alcool fez com que o pessoal começasse a recolher perto das 5h da manhã.

Casamento à polaco - A festa
O jantar de casamento e a festa deram-se num espaço proprio para isso nos arredores da cidade. À entrada os pais dos noivos oferecem-lhe um pão salgado, do qual eles devem tirar um pedaço, "molhar" no sal e comer. De seguida bebem um shot de vodka cada um e atiram os copos para trás das costas, que se devem partir, em sinal de boa sorte. Já la dentro os convidados felicitaram os noivos e presentearam-nos. Achei curioso no convite vir escrito em letras pequenas que não precisavam de nada e queriam dinheiro. Um pouco rude talvez, mas sem dúvida pratico e directo. O jantar foi bastante simples, com entrada, um prato e gelado de sobremesa. Durante o resto da noite as travessas de comida não pararam de chegar, sempre com algo diferente e tipicamente polaco. Havia também uma mesa paralela cheia de bolos (hmmm), chá e café. Ou seja, não existem os 5 pratos que há em portugal, mas também não há mesas dos frios e afins. Cada um tem o seu lugar que mantem ao longo da noite e a comida nunca acaba nas mesas. Os empregados não tinham paus enfiados pela espinha acima e até se metiam connosco. Achei que era um estilo mais simples, relaxado e sem tantas mariquices. Outras das grandes diferenças foi sem duvida o alcool. O unico alcool consumido naquele casamento foi vodka. Não houve aperitivos. Não houve digestivos. Não houve vinho nem cerveja. Vodka à mistura com sumos e cola. Como entre mim e o vodka não há meio termo, pois ou bebo pouco e fico totalmente sobria, ou bebo com os outros e deixo de me lembrar que existo, decidi beber muito mas misturado com ainda mais sumo. Como podem ver resultou, porque me lembro de bastantes detalhes!Ainda nem tinha comido a sobremesa já os noivos faziam a primeira dança, com coreografia e tudo! Sem parar, lá me limitei a ficar sentadinha no meu canto e a observar os pares na pista. No entanto, com o aumentar dos brindes de vodka fui sendo mais e mais vezes convidada e acabei por me fartar de dançar a noite toda. Achei imensa piada ao estilo de organização. Dançavam-se umas 5 musicas (e toda a gente dançava), e no final a banda tocava então a tipica musica dos casamentos que fala de beber vodka. Aí todos iam para os seus lugares, cantavam aos noivos numa espécie de brinde, bebia-se um shot de vodka e comia-se durante uns 10 minutos. Passado esse tempo a banda voltava a tocar, voltava-se a dançar, e voltava-se a fazer a pausa para cantar, beber e comer. E sempre assim até às 5h da manhã!!!
Casamento à polaco - Na igreja

Fui pela primeira vez a um casamento polaco. No ínicio achei que ia ser meio aborrecido já que apenas conhecia os noivos, que nesse dia iriam andar bastante ocupados, mas a verdade é que adorei! Tudo começou sábado depois de almoço. Sendo a noiva de uma cidade aqui perto, alugou-se um autocarro para levar o pessoal daqui. Obvio que a animação começou logo aí. Não conhecia uma única pessoa que ia naquele autocarro e ia preparada para dar corda ao meu polaco o mais e melhor que pudesse. Quando o autocarro chegou á minha paragem já ia cheio (eu fui a última). Abriu-se a porta de trás e eu entrei. Mal subi o último degrau ouvi um coro de vozes a quase gritar "Hello Sara"! Fiquei de 300 cores diferentes e ri-me que nem uma perdida. A partir daí a viagem foi uma animação. Ofereciam-me vodka de 5 em 5 minutos. Eles bebiam vodka de 5 em 5 minutos. Cantavam muito. E deviam dizer piadas porque se estavam sempre a rir. Tive a sorte (ou o azar) de ficar sentada ao pé de um dos palhaços da festa (o Zé Manel lá do sitio). Não consegui entender quem era a mulher dele, pois à minha frente agarrou-se e apalpou o rabo a 3 mulheres diferentes, só durante a viagem de 1h! O autocarro deixou-nos à porta do hotel, onde ficamos uma noite. Troquei as calças de ganga pelo vestido. Os ténis pelo salto alto e lá me encontrei com o resto da malta à porta. Fomos directos para a igreja. Gostei! Não há cá comida na casa da noiva e do noivo. Para quê se a festa é depois? A igreja era pequena, simples e bonita. Tinha um enorme orgão de cauda cujo som combinado com o de um violino enchia a atmosfera. Quando chegamos estava a noiva ao fundo da igreja à espera que todos se sentassem. Toda a gente fez silencio e esperava a musica, mas não havia maneira de a noiva andar. Passaram uns minutos e eu pensei "Mas que raio. Toda a gente calada e tudo pronto e ela não vem? Da maneira como os polacos são com as horas devem estar à espera das horas certas". Dois minutos depois, ouve-se o sino a bater as 18h e depois das baladas começa a música! "Não posso", pensei, "estavam mesmo à espera das 18h". Penso que a cerimonia seja mais ou menos igual. Há algumas excepções como só haver um casal de testemunhas para os dois, e de em vez de beijinhos se darem apertos de mão. Quando acaba toca então a marcha nupcial (ao inicio foi outra) e os noivos vão até à porta da igreja. Aí esperam que todos saiam e eles são os ultimos, levando com uma chuva de arroz e de moedas! Como as moedas são como um presente é tradição que eles se baixem e as apanhem.
Aos mais distraídos saliento que... não houve fotos na igreja. Nem os convidados ficaram horas à espera que eles saissem. Não! Acaba a cerimonia sai tudo e pronto!
Aos mais distraídos saliento que... não houve fotos na igreja. Nem os convidados ficaram horas à espera que eles saissem. Não! Acaba a cerimonia sai tudo e pronto!quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Volta, estas perdoado!
O meu vizinho da frente, o serial killer mudou-se! Vi hoje as senhoras da limpeza a limparem-lhe o quarto. Eu devia ter desconfiado quando ele no verao pos do lado de fora o frigorifico, as prateleiras e um monte de sacos... durante uma semana. Mas para quem o ano passado pos 13 pares de sapatos a porta durante o verao todo, ja nem estranhei...
Mas e agora? Quem me vai assombrar? Quem vai fazer-me companhia na cozinha com os seus dialogos com os tachos? Nunca mais vou ver aquela chaleira de assobio do seculo XVIII? Nem sentir aquele cheiro horrivel meia hora depois de ele ter passado no corredor?Como e' que vou viver sem tudo isso...
Mina!!!
Lembram-se na universidade, quando eramos bixos e gritavam mina e tinhamos que nos atirar para o chao, onde quer que estivessemos? Pois ontem lembrei-me desses tempos. Em frente ao meu edificio da universidade decidiram esvaziar o lago (artificial, verde e cheio de nhanha) dos patos, para fazer obras e porem uma fonte toda catita. Andavam os senhores a escavar quando dscobriram... uma mina da segunda guerra mundial!!! Parece que a policia veio em forca e fizeram um perimetro de seguranca enquanto nao levaram as minas daqui. Eu, que entro pela porta das traseiras, nem dei conta. Bem que podia ir tudo pelos ares que eu ca ficava agarrada ao computador...
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A preparar-me para o circo
A vantagem de se ter uma cozinha comum e longe do quarto é que treino e melhoro os meus dotes de equilibrismo. Hoje achei piada quando ao ir para a cozinha carregada com uma frigideira, um tacho, um pacote de massa, tabua, faca, garfo, prato e fosforos, e a andar devagarinho, cruzei-me com 3 outros polacos a vir nas mesmas condições. É nestas alturas que não é preciso falar a mesma lingua... trocamos olhares cumplices e rimo-nos uns dos outros.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Algo estranho
Tive um bom dia! Ás portas da entrega da tese sempre me imaginei a descabelar e a afogar-me em trabalho. Tendo em conta que neste grupo não vale fazer só 10 coisas ao mesmo tempo... têm que ser sempre 20. Mas hoje não sei... não tenho nada para fazer... até me sinto estranha!Ok, claro que não é bem assim. Mas o que eu quis dizer é que não tenho nada para fazer para entregar ontem, como geralmente acontece. Tenho a tese inteira para rever, mas o grosso está feito. Acabei de escrever um capitulo para um futuro livro e pasmem-se... a boss gostou (escreveu no email no seu inglês apolacado "very nice done" eheh), e mal lhe pôs as unhas de cima. Tenho mais um artigo aceite, e até já fiz os slides todinhos da apresentação da semana que vem... Eu??? Uma semana e dois dias antes??? É melhor ir ao médico... Mas vou esperar até ir a casa porque aqui eles receitam sempre as mesmas 3 caixas de comprimidos sejam qual forem os sintomas...
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