terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Primeiro de Novembro

O 1º de Novembro é celebrado na Polónia com ainda mais intensidade que em Portugal. No fim de semana anterior toda a gente vai para o cemitério limpar as campas e os caminhos em volta. No próprio dia, enfeita-se tudo com flores e sobretudo muitas velas. Obvio que isto proporciona o negócio e nas várias portas para o cemitério montam-se tendas para vender não só flores e velas, como também rebuçados, bolos e até sandes. A minha casa fica próxima e pude observar as pessoas que pareciam formigas, nos passeios, em filinha, cheias de sacos a dirigirem-se para lá. Tentei chegar lá perto, mas a multidão de gente era que nem na feira de manhazinha e desisti.
O que não deixei de fazer foi de ir lá ao cair da noite. Sim, fui sozinha e não, não tive medo! O cemitério neste dia fecha mais tarde e mesmo à noite está cheio de gente. Quando fica escuro vêm-se então as centenas de pontos luminosos, que são as velas. Há quem diga que já não é o que era. Que há uns anos atrás se acendiam muito mais velas e que parecia um mar luminoso. Ainda assim, vale a pena ver e admirar.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Outono em Szczecin




Cerimónias e mais cerimónias


Os polacos adoram festas, cerimónias e qualquer outra desculpa para não trabalhar (um pouco à semelhança dos portugueses). No entanto penso que aqui eles gostam mais de hierarquias e só na universidade há um sem numero de posições que não existem em mais lado nenhum. Como tal, pelam-se por uma boa cerimónia de entrega de prémios, diplomas ou qualquer coisa que sirva para mostram o quanto são bons ou evoluiram.
Tal como em Évora, uma vez por ano existe a entrega de diplomas. Fomos todos convidados a assistir e lá fui eu. Esperava encontrar algo semelhante a Portugal, já que a maioria vai buscar diplomas que já ganhou há meses. Mas não! Claro que não! Havia coro! Havia palco! Havia fatiotas catitas! E não estou a falar dos convidados. No palco havia cadeiras e no chão uma passadeira... verde (deve ter desbotado). O reitor, vice reitor, e reitorzinhos (sao estes os cargos que não existem aí) entraram pela porta traseira, passaram na passadeira verde, com o seu ar sério e com fatiotas engraçadas. Claro que a do reitor era a melhor, e o senhor vestia nada mais nada menos que... pele de coelho! A cor das vestes também varia com a importância e todos tinham um chapéu com 3 bicos. Não me contive a rir... so me faziam lembrar elves com as suas orelhas pontiagudas! Então com aquele are serio, a fazer um discurso sério... e com orelhas de elves. Cada diplomado tinha também uma veste preta e o mesmo chapeu engraçado.
O reitor também tinha um bastão decorado na mão (deve ter sido usado para matar os coelhos das peles) e a cada diplomado ele tocava com o bastão no ombro em sinal de benção.
Fartei-me de rir com alguns, pois o senhor era baixinho e às vezes lá tinha que se esticar todo. Mas admiro o seu ar e postura superior que nunca largou, nem sequer em bicos de pés. Os primeiros 5 minutos foram engraçadissimos, mas aquilo durou mais de 1h e nós em pé já estavamos que nem podiamos.
Se soubesse que ia ser tão engraçado teria levado a maquina fotográfica. Mas não fazia ideia...

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A dura realidade

O comentário de um sueco no meio de uma estação de comboios polaca:
"Parece que estou a viver há 30 anos atrás. E ainda dizem que ainda não se pode viajar no tempo!!"
E não levou mais de 30 minutos em território polaco a concluir aquilo que eu andava a tentar evitar a admitir a mim própria.

Podia ter sido em Portugal? Podia!

Conversa com a boss antes da entrega da tese:
Eu- E posso imprimir frente e costas como a tua?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E é preciso aquelas listas de figuras e abreviaturas e afins?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- E regras para o tamanho de letras e assim? Ou para a capa?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá.
Eu- Ok. Mas pelo menos sabes quantas cópias tenho que entregar?
Boss- Não sei. Eu fiz na Alemanha e não cá. (nem isto?!?!?!?!)
... silêncio por uns instantes...
Boss- Se quiseres pergunta ao P. Ele sabe para onde ligar.
Ok! Got the message! Não sabes e nem estás interessada em saber!
Pergunto ao meu colega P. que me diz que procura na net. Ligar? Isso não, que depois tinha que levantar o rabo da cadeira, ir ao secretariado, e pegar no telefone e tal. Lá encontrou uma página na net cheia de regras para tudo e mais alguma coisa. Assustada com tanta coisa lá lhe peço para traduzir. Ao fim de 15 minutos a tomar notas pergunto-lhe:
Eu- E será mesmo necessário isso tudo? Achas que são regras que toda a gente segue ou são mais como sugestões?
P.- Não sei! Isto nem sequer é para a nossa universidade.
Eu- What??? Mas estive eu para aqui a tomar notas para nada?
P.- Não! As regras devem ser as mesmas para a Polónia inteira.
Eu, a duvidar bastante disso, mas estando neste país nunca se sabe- Tens a certeza?
P.- Certeza não tenho, mas deve ser. Diz ele voltando a pôr os fones nos ouvidos e voltando para o filme que eu lhe interrompi (sim, durante o trabalho...)
Ok. Got the message! Também não queres saber lá grande coisa. Peço a alguém uma tese do ano anterior, mesmo em polaco, para comparar com as regras. Comparo ... eram diferentes como o preto e o branco!
Decidi pedir ajuda aos colegas de gabinete, que simpáticos como são não hesitaram em discutir para onde é que raio haveriam de ligar. Que fique aqui claro que se eu pudesse teria ligado eu mesma. Mas nem sabia para onde, nem o meu vocabulário chegaria para perguntar o que queria saber, principalmente ao telefone onde é mais dificil entender as pessoas. Eles decidem ligar para o secretário dos estudantes de doutoramento.
Colegas- Tens informações sobre blá blá blá?
Secret.- Não!
C.- Mas eras tu que devias ter, não?
S.- Provavelmente!
C.- Mas não tens?
S.- Não.
C.- Nem queres procurar saber?
S.- Para quem é isso?
C.- Para a Sara.
S.- Ah, ela não está sobre a minha custódia, porque os processos dela não passam pelas minhas mãos!
C.- Mas isto é uma informação útil a todos, não só para ela!
S.- Pois, mas agora é ela que quer saber.
Gostava de saber o que teria acontecido se tivessem ligado outra vez em nome de outra pessoa qualquer. Mas eles não têm o meu sentido de humor e não o quiseram fazer. Eu, já sem saber a quem recorrer decido fazer um inquérito a pessoas que já tinham .concluído doutoramento aqui Desisti à 5ª pessoa! Todos eles me respondiam com imensa certeza "claro que há regras e deves segui-las" e a seguir davam-me informações completamente diferentes.
Isto não está a correr bem, pensei. E nesse mesmo momento decidi mandar tudo às urtigas, formatar o trabalho como bem me apetecesse e logo se via. Até por que me restava apenas o resto do dia e ainda tinha várias coisas para fazer. Ainda assim precissava mesmo de saber o numero de cópias a imprimir...
No meio dos meus pensamentos lá regresso ao gabinete. Alguém teve aideia de ligar à secretária do director. Se é ela que recebe as cópias, ela deve saber estas coisas. Mais uma vez um dos meus colegas liga-lhe, para ouvir do outro lado uma voz enraivecida, sabe-se lá porquê, a gritar:

Secret.- Eu é que sei??? Porque raio havia eu de saber???
Colega- Hmmm... porque é aí que são entregues?
S. ainda mais enraivecida começa a gritar obcenidades e a dizer que se lhe está a faltar ao respeito e afins. Por sorte outro alguém que estava lá no momento pega no telefone e salva a situação... com uma frase.
"Não há regras nenhumas, desde que a letra seja bem legível, e são preciso 5 cópias incluindo a do candidato"
Fogo!!! Tanto tempo perdido para afinal não haver regras nenhumas? Pensei positivo... pelo menos não tinha que mudar nada...
No dia da entrega lá fui eu com 5 pesos pesados às costas para chegar lá e ouvir da senhora gritante "ah, aqui só deixa uma. As outras guarda a menina!". E voltei com 4 pesos pesados...

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

A tese


Passei horas em frente ao computador. Dias e dias a fio sem importar o dia da semana. Muito chá preto. Muitos papeis. Gargalhadas sozinha. Cabelos em pé. Olheiras fundas. Se me queixo? Não! Acabou por ser divertido.
Melhor foi no ultimo dia. Era suposto imprimir no dia seguinte de manhã. Depois de alguns percalços e uma apresentação pelo meio peguei-lhe para fazer as ultimas correcções já depois das 15h. Ah dá tempo, pensei. Claro que dá...
Escrevi as conclusões gerais às 4.30 da manhã.
Escrevi os agradecimentos às 5.20.
Ìndices e paginação às 6.30.

Deitei-me às 7h e três horas depois já estava na loja a mandar imprimir.
Lembro-me de ter passado horas a imprimir a minha tese de licenciatura. Numa daquelas impressoras que leva 2 minutos por folha. Desta vez foi tudo diferente. Cheguei ao quiosque, escolhi a cor da capa, verifiquei a primeira cópia e esperei pelo resto. Optei por passar o tempo num café ali perto a comer uma fatia de bolo e a beber chocolate quente. Não pude evitar mas comparar as duas situações.
Levou mais tempo que o esperado, mas às 3h da tarde estava entregue e eu podia finalmente respirar, descansar e dormir...

Oxford

O sexto meeting do meu projecto foi há umas semanas atrás em Oxford. Não levava grandes expectativas e andei tão atarefada até lá que nem me preocupei muito em saber antecipadamente o que me ia esperar. Ainda bem... a surpresa foi bem agradável.

Muita gente julga que é um dos lugares com mais génios por metro quadrado. Eu tinha mais em mente que era o sitio com mais narizes empinados por metro quadrado. Nem os outros, nem eu, nos enganamos. Há dos dois. As instalações na parte das ciencias são optimas sem duvida. Há dinheiro para tudo o que de certeza ajuda. Mas há muita gentinha reles por lá a achar-se o melhor do pedaço só por trabalhar ali. Quando na verdade o que se precisa é de sorte ou de uns pais ricos (se for para estudar).

No entanto, a cidade é mágica. Os edifícios são todos antigos mas bem tratados e com ar de novos. Ou seja, parece que foram acabados de construir e portanto sente-se que se viajou no tempo. Aquele ar de país encantado também está todo lá. Senti-me sempre como se estivesse no filme do Harry Potter. A verdade é que parte dos filmes do Harry Potter foram mesmo ali filmadas. Vi a sala gigante de jantar e a escadaria onde Dumbledore faz o seu discurso (bem mais pequena que o que parece no filme). A cada esquina se espera que surja um feiticeiro com a sua capa preta e varinha de condão.

Para completar o cenário, até se pode encontrar a loja da alice do país das maravilhas, onde se vendem doces, peluches, cartas, e outros acessórios que só conhecemos dos desenhos animados.

Ficamos hospedados num (entre dezenas) dos colégios de Oxford - Mandsfield College. A sala do pequeno almoço fazia-nos continuar a sonhar com feiticeiros e afins. A mim no entanto fazia-me acordar quando os empregados de mesa polacos me vinham arranhar os ouvidos com o seu inglês estranho (que afinal não me é nada estranho). Também fiquei contente por pertecncer ao grupo dos que tinham um quarto na ala nova e não na do século passado. Pelos vistos o colégio era lindíssimo por fora, mas houve bastantes queixas acerca do cheiro, do pêlo das carpetes e do estado pútrido da mobilia. Mas isso até faz parte certo? Digo eu que não tive que lá dormir 5 noites.

O encanto também escapa um bocadinho quando a seguir a um passeio na cidade se vai para um pub beber cerveja e comer fish and chips. O que não quer dizer que não é bom voltar à realidade.Principalmente quando a cerveja é caseira.

Como sempre deixo as fotos, para meter inveja ;)


Actualizando

Está mais que na hora de actualizar este blog. Não tenho tido tempo nenhum. Tenho passado horas em frente ao computador e por acaso a escrever até doerem os dedos, mas não no blog. Agora, que a menina dos meus olhos finalmente nasceu (a.k.a. tese), já posso respirar mais à vontade e (vejam lá que loucura) até já posso dormir! Sem exageros que ainda há muito pela frente. Mas vou contar um bocadinhos das minhas aventuras nas ultimas semanas.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Submitted!!!



(ontem às 3h da tarde)

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

It's so sad...


... that only one of us can go through!